sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

“Caramba, Carangola, que saudade de você...”


Carangola tem muito a contar, muito a mostrar, mas parece que o processo de globalização acabou atraindo os nossos olhares para fora, para o distante, talvez até para o futuro. Esquecemo-nos que o passado diz muito sobre o presente.

Nestes meus 29 anos já vivenciei muitas “coisas” em Carangola que gostaria de poder contar a todos os meus alunos. “Coisas” que resistiram ao tempo e “coisas” que já não existem mais. “Coisas” que divertiam meus pais e que eu aprendi a gostar. Lugares que frequentávamos; costumes que foram deixados de lado por fatores múltiplos. Mesmo não existindo mais fisicamente, estas “coisas”, momentos e sentimentos nunca serão apagados da minha e da memória de muitos.
Durante estes últimos meses, pensei muito nisso. Por vezes senti um aperto no coração e um nó na garganta ao relembrar fatos de uma Carangola que não acabou, mas mudou muito, e nem digo que foi para pior, digo apenas que mudou.
Certamente, se não estivesse realizando este trabalho com meus alunos, produzindo materiais sobre as práticas de memória e patrimônio, não pararia para questionar essa realidade. Até então, nem havia tido acesso a dados tão preciosos sobre a cidade em que nasci e vivo. Não que estes dados não despertassem meu interesse, mas isso aconteceu há anos atrás, quando procurava um tema para minha primeira monografia. Mas como o acesso era restrito e até bem dificultado, acabei enveredando-me  por outros rumos.
Enfim, hoje estou aqui...
Rindo ao ver as fotografias que meus alunos tiraram do que eles acham importante em Carangola. Emocionando-me ao lembrar que eu também frequentei aqueles lugares quando tinha a idade deles. Chorando por saber que poderia ter feito mais para que algumas práticas permanecessem. Esperançosa em perceber que ainda há tempo, ainda há pessoas que não desistiram de lutar pela preservação da cidade e que juntando-me a elas, farei diferença. Posso até não fazer diferença para as autoridades, para o Estado, para o país, mas farei diferença para mim. Terei a certeza que, de alguma forma, fiz a minha parte. Deixei curiosidades aguçadas, mentes conscientes.
Amanhã posso não mais aqui estar... mas deixei sementes plantadas...

Thais
19/11/2010

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