Breve Histórico de Carangola

Origem do Nome
  
         A origem do nome de Carangola tem várias versões. A que explica ser “Cara-de-Angola” , forma de pintura facial dos índio Coroados que originou o nome. Em linguagem indígena e mista com africano, significa “diabo velho dos matos”, “rio que arranha”. Há possibilidade do termo ser de origem africana. A região que hoje constitui fronteira entre a Costa do Marfim e as Repúblicas de Mali e Burkina Fasso (ex-Alto Volta), no século XVII, tinha a denominação “Carangoles”. Entretanto, de acordo com a versão mais aceita, o nome de Carangola é devido ao fato de haver em abundância “cará” (nome comum a várias plantas dioscoreáceas; inhame), no meio do capim de angola (pl. indígenas africanas, que deram seu nome à província de Angola), às margens do rio. O cará, pelo fato de estar misturado ao capim de angola, foi chamado de “Cará-de-Angola”. Depois fundiram-se pelo uso as duas palavras.


PIRONI, Roberto e outros. Dicionário escolar com a História do Município. Carangola. Acervo Cultural/ Prefeitura Municipal de Carangola, 1999.

 Histórico
A atual cidade de Carangola está situada no leste de Minas Gerais, na mesorregião da Zona da Mata e na microrregião de Muriaé. No período da mineração na Capitania das Minas Gerais, a região era uma “Área Proibida”. Em tal região havia uma mata densa e por isso demandava um controle maior da Coroa no intuito de controlar, ou tentar controlar o contrabando de ouro.
Sua ocupação foi iniciada na década da decadência da extração aurífera, o que propiciou uma busca desesperada por novos veios de ouro nos rios na região, e posteriormente para comercializar com os índios uma planta chamada poaia.
Ainda no auge da mineração foi permitida a formação de lavouras para suprir as necessidades dos bandeirantes em seus trabalhos, e após este período, para conhecer melhor e povoar o território.
Por volta da segunda década do século XIX, os sertanistas chegam à região do vale do rio Carangola. Conforme cita o dossiê de tombamento dos bens de Carangola.
Como a tentantativa de exploração de ouro na região fracassou, a área foi ocupada por ciadores de gado, onde atualmente é Tombos e por lavradores, onde atualmente é Carangola. Estes conviviam com os puris que já habitavam a área e atreavés deles tinham acesso à poaia, que também passou a ser comercializada.
          O núcleo inicial, denominado Arraial Novo, de 1833, cresceu com a chegada dos Lanes, em 1840, vindos da Barra do Muriaé e se fixando onde hoje é a praça Coronel Maximiano.
          Assim o povoado vai se expandindo. As matas são derrubadas e dão lugar a plantações de arroz, cana e outros cereais. Mas foi o café a principal fonte econômica do município no século XIX. A cultura do café foi trazida para a região por José Gonçalves Araújo e Manoel Francisco Pinheiro, em 1848.
          Em 1855 os coronéis Maximiano José Pereira de Souza e Antônio Carlos Romano de Souza elaboram a criação de um povoado organizado.

"Assim , em 1856 (...) o trabalho foi iniciado. O povoado ganhou novas   características   e   dimensões,    estágio   inicial  para   o   seu desenvolvimento, vindo a alcançar pouco depois, em (07 de outubro de 1860), a condição de distrito, com o nome de Santa Luzia de Carangola. As primeiras casas, começo do arraial, desapareceram, e nada resta na atual cidade para rememorar os esforços dos primeiros habitantes. "1

          Fundado em  13 de dezembro de 1856, o povoado apresenta suas primeiras casas e tem como padroeira Santa Luzia, em cumprimento de uma promessa feita pelo Cel.  Antônio Carlos Romano de Souza.
        Em 12 de novembro de 1878 o povoado foi elevado à categoria de vila e em 1881 à de cidade. Mas sua emancipação política só ocorreu em 07 de janeiro de 1882, quando foi instalado o governo municipal.
            De acordo com Roberto Pironi, Carangola tinha uma área que
 “abrangia mais de 2000 km2. A cidade que em 1882, possuia apenas trina e seis casas, cinco ruas e duas praças, registrava em 1896, um aumento para cento e cinquenta e seis casas.”2
O Largo da Matriz era o que caracterizava o centro urbano da cidade. Ali também se situava a primeira Câmara Municipal. Ela se instalava em uma prédio que havia na esquina da p. Cel. Maximiano com a rua Pedro de Oliveira. Era o maior prédio de Carangola e pertencia à Província de Minas Gerais. A primeira cadeia pública do município estava instalada no mesmo prédio, na parte térrea e contava com duas celas. Este casarão foi demolido em 1922, dando lugar a uma outra edificação.
A partir de 1914, o município se especializa também, na produção leiteira.
Em 1887 é instalada uma Estação Ferroviária, acrescida de outra em 1938.
Carangola hoje vive do comércio, ainda possui plantações de café e criação de gado leiteiro, mas infelizmente, ela não é mais conhecida como a Princezinha da Zona da Mata, como era, em seus passados anos de prosperidade.

1  PIRONI, Roberto e outros. Dicionário escolar com a História do Município. Carangola: Acervo Cultural/Prefeitura Municipal de Carangola, 1999, p. 20.

2  PIRONI, Roberto e outros. Dicionário escolar com a História do Município. Carangola: Acervo Cultural/Prefeitura Municipal de Carangola, 1999, p. 20.
 
 

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